domingo, 22 de setembro de 2013

Água para elefantes - Sara Gruen

               Como estou fazendo pós-graduação em Mídias na Educação e estamos tendo uma disciplina sobre blogs resolvi ativar o meu de novo.... vou resumir um livro maravilhoso que acabei de ler ontem, já tem o filme, mas ler é sempre mais gostoso, né? O nome do livro é "Água para elefantes" e conta a história de Jacob, um jovem que vê sua vida mudada da noite para o dia devido um acidente que leva seus pais à morte. Só lhe faltavam as provas finais para receber o diploma de veterinário, mas descobriu que seus pais estavam cheios de dívidas quando morreram e por isso ele não tem dinheiro para pagar a faculdade.
              Passa, então, um circo pela cidade e Jacob vai se oferecer para cuidar dos animais. Tio Al, o dono do circo, é um homem cruel, porém aceita Jacob após descobrir que ele é quase veterinário formado por uma conceituada faculdade. Jacob conhece então August e sua linda mulher, Marlena. Apaixona-se por ela assim que a vê. August porém, é um homem muito estranho, ora extremamente amável, ora um carrasco sem coração, que machuca os animais do circo sem nenhum dó. 
              Jacob passa a viver com um anão artista em seu quarto e descobre que por trás da lona, o circo nada tem de glamouroso, artistas e trabalhadores são jogados do trem quando não servem mais, os salários muitas vezes não são pagos, falta comida, enfim, passa por privações terríveis, mas seu amor por Marlena cresce cada vez mais.
              Quem narra a história é um Jacob mais velho, com seus 93 anos e que vive num asilo. Ele vai relembrando sua história conforme vão passando os dias no asilo e toda estas lembranças se desencadearam porque um circo se instalou em frente ao asilo.
                 Voltando à história de Jacob jovem, August em um de seus dias de pessoa descente, convida Jacob para uma comemoração em seu camarote. Empresta um smoking e sapatos para Jacob tirar suas roupas de maltrapilho. Durante o jantar, August se mostra atencioso com Marlena e com ele, um homem adorável. No outro dia, tio Al compra uma elefanta para o circo e August tenta treiná-la, descobrindo que a elefanta aparentemente é burra, maltrata-a e é bruto e estúpido com Marlena.
                Jacob descobre que a elefanta só entende em polonês e ensina algumas palavras a August que se torna sociável novamente.
               Algum tempo depois, os três saem para uma festa, estão se divertindo muito quando chega a polícia e expulsa todos de lá. Jacob e Marlena se perdem de August e ficam sozinhos na noite, Jacob aproveita para beijá-la e dizer que a ama. Ela foge mas ele percebe que ela também está apaixonada por ele.
               Em todo esse meio tempo, muitas coisas acontecem no circo em torno da história dos três, mas o climax de tudo acontece quando August em um de seus dias de homem mau, desconfia de Marlena e Jacob dando uma surra em ambos e levando umas boas porradas de Jacob também. No outro dia, Marlena muda-se para um hotel e Jacob à visita, tendo sua primeira noite de amor... A partir disto várias coisas acontecem e vou deixar para quem ler o livro ou assistir o filme, descobrir....
Beijosss

domingo, 4 de maio de 2008

A língua portuguesa em sala de aula

São vários os questionamentos em torno da Língua Portuguesa em sala de aula que podem ser feitos e criticados. Apesar de muitos professores irem para a sala de aula sabendo que o “antigo” método de ensino é muitas vezes “incorreto”, continuam o repetindo, deixando-se levar por ser mais fácil e cômodo.
Os professores recém-formados devem ter consciência de que o livro didático não deve ser usado como única fonte de conhecimento para o aluno. Ele deve ser usado sim, como mais uma delas, afinal, como afirma Marcuschi (org. 2002) “é até fácil perceber que os exercícios de compreensão dos livros didáticos falham em vários aspectos e não atingem seus objetivos”, pois afinal, continuam achando que para compreender o texto o aluno precisa decodificá-lo.
A grande maioria dos livros didáticos traz exercícios do tipo: “retire do texto”, “encontre no texto”, que não levam o aluno a pensar, a refletir sobre o que irá escrever. Quando o professor que tem consciência de que esse tipo de exercício não leva a nada, costuma ouvir de seus alunos perguntas do tipo: “onde está isso no texto, professor?”, pois estão habituados a ler e copiar do que leu e não pensar numa resposta elaborada, tirada de suas próprias opiniões ou críticas.
Outra grande falha em algumas escolas é a de não levar ao aluno o entendimento e a produção de diferentes gêneros textuais. A monotonia das antigas “historinhas” infantis às vezes ainda é muito presente.
Existem diferentes formas de se trabalhar textos em sala de aula, como afirmam Guedes e Souza (org. 1999) “o texto precisa ser tratado como diálogo e não apenas como estrutura” o professor deve “perguntar pelo papel deste texto no diálogo que participa”, levando o aluno a ter criticidade no que lê e no que posteriormente escreve. Quanto à produção textual, o melhor a fazer é deixar o aluno livre para escrever sobre o que quiser, sobre suas experiências de vida, de como vê e vive sua vida, enfim, depois que ele percebe que tanto produzir como ler não são tarefas difíceis, introduzir na sua vida novos conhecimentos, novos gêneros.
O professor deve proporcionar ao aluno a reescrita de seus textos, para que ele mesmo se corrija e talvez mude suas idéias. Apresentar diferentes gêneros textuais no sentido que ele decida se vai escrever um texto narrativo e depois transforme o mesmo numa charge. Para Guedes e Souza, o professor deve “apresentar vários tipos de texto e alertar para o que neles pode ser encontrado”, como numa poesia em que ele encontrará rimas, versos, ou como num texto narrativo em que encontrará enredo, personagens, narrador, enfim, dando ao aluno a possibilidade de conhecer e escolher qual dos gêneros lhe chama mais atenção.
Outro grande ponto fraco das aulas de português são as práticas de leitura em sala de aula. A maioria dos professores diz que se praticarem leitura em sala não vencerão o conteúdo proposto. Mas daí nos perguntamos: até que ponto é válido fazer o aluno decorar regras que ele jamais usará na sua vida? Por exemplo, em que vai diferenciar na vida dele se uma palavra tem radical, vogal temática, desinências, etc? Não seria muito mais válido lhe ensinar como ler corretamente, pois isso sim, lhe acompanhará para o resto da vida? Há muitas coisas que para a vida das pessoas não tem função nenhuma e continuam tornando as aulas massificantes e sem fundamento algum.
A leitura precisa e deve ser uma prática comum nas escolas, pois além de aumentar o vocabulário, ajuda na compreensão do aluno perante textos inteiros e não palavras decodificadas.
Para outros autores “fazer uma leitura de pesquisa guiada pelas orientações do professor, facilita a compreensão parcial ou total do texto”. O professor deve deixar o aluno livre para que escolha livros ou textos que mais lhe agradem, deixando o gosto pela leitura fluir naturalmente.
Guedes e Souza afirmam que “ensinar a ler é contextualizar o texto e explorar os seus possíveis sentidos, aprofundar a leitura é promover um diálogo da leitura feita pelo aluno com a leitura feita pela tradição”, uma tarefa não só para as aulas de português mas para as demais disciplinas também.
Para esses autores ainda, a aula de português ensina uma língua que não é a falada por eles, uma língua cheia de palavras “difíceis e complicadas”. Por isso, sabemos que o desafio se torna ainda maior: como fazê-los criar gosto pra ler uma língua que muitas vezes não compreendem? O professor deve ter bem claro e deixar bem claro para os alunos que existe uma linguagem formal, mais usada na escrita, e uma linguagem não-formal falada, que é mais livre, na qual entram diferentes culturas, diferenças sociais, etárias, enfim, uma língua muito mais ampla.
Segundo o PCN de Língua Portuguesa do Ensino Médio, o aluno deve sair do Ensino Médio sabendo “confrontar opiniões e pontos de vista sobre as diferentes manifestações da linguagem verbal”, aprendendo a ter opinião, a poder criticar o que acredita estar errado e, tornando-se um cidadão consciente de seus direitos e deveres. E com certeza só com muita prática de leitura e escrita é que teremos cidadãos conscientes de seu lugar no mundo e de como devem enfrentar as dificuldades da vida.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Sobre: "O ano em que Zumbi tomou o Rio"


O autor José Eduardo Agualusa nasceu na Angola, já viveu em Lisboa, Berlim e no Rio de Janeiro. Durante o tempo que viveu em Berlim (2001/2002), escreveu “O ano em Zumbi tomou o Rio”, narrativa sobre a invasão de negros favelados aos bairros ricos cariocas.
Um dos personagens principais, o Coronel Francisco Palmares (uma referência a Zumbi dos Palmares), depois de trocar a África pelo Brasil para esquecer o amor que sentia por Florzinha e esquecer também a guerra que viveu na África, decide fazer justiça a favor dos negros favelados. Ele queria fazer a guerra “descer do morro para o asfalto”. Francisco Palmares vendia armas para os traficantes do Morro da Barriga (referência a Serra da Barriga, onde se localiza o Quilombo dos Palmares) e a revolta seria executada por esses traficantes.
Percebemos nesse livro que os negros querem conquistar seu espaço. É uma história pela igualdade de raças, onde negros lutam para que sejam recompensados por tudo que já passaram nas mãos dos brancos, pelos anos de escravidão, exploração e humilhação que ainda vivem.
No Morro da Barriga, vivem Jararaca, Jacaré e mais milhares de soldados do tráfico. Numa entrevista que Jacaré, após ter lançado seu cd de rap, concedeu a uma emissora de TV da cidade, fica claro o poder que os traficantes têm dentro da favela. Pelo fato de Jacaré estar drogado durante a entrevista e falou muitas coisas que não deveria ter falado, Jararaca manda seus capangas dar uma surra nele, quando Jacaré chega, os manda parar de bater e cortar sua mão fora. Jacaré quer ser político e sua imagem não deve ser afetada pelo rapper.
Outro personagem da história é o jornalista Euclides Matoso Câmara (referência a Euclides da Cunha, outro personagem da luta de Zumbi dos Palmares), um homem negro, anão (media 1m e 13cm) e homossexual. Fora amigo de Francisco Palmares já em Luanda. Mas Francisco achou que o mesmo havia morrido na guerra pela independência angolana.
Percebemos então, que o livro não quer falar somente do preconceito racial, mas também fala do preconceito contra pessoas com deficiências e homossexuais. Além disso, a trama toda tem algumas coisas a ver com o que aconteceu no Quilombo dos Palmares, a revolta daqueles negros em Cantagalo.
O objetivo dos negros com sua revolta é pedir indenização ao governo pelos muitos anos de sofrimento. Jararaca comanda o espetáculo e até alguns policiais negros ficam do lado de Jararaca. Euclides não quer ajudar nisso tudo, mas acabou entrando numa das pequenas guerrilhas que aconteciam em lugares do Rio.
Mas, revoltado, Jacaré seqüestra Anastácia (amante de Jararaca) e Euclides, para vingar-se de Jararaca. Jacaré acaba sendo descoberto e morto.
Enquanto isso, há outras pessoas que pagam milhões para um homem matar Jararaca. Quando esse homem encontra Jararaca, ele aponta-lhe uma arma, mas antes de matá-lo, Jararaca o chama de pai.
O final do livro não tem nada de feliz. Com ele podemos concordar com o autor de que o Brasil ainda não se descolonizou, que é um país racista e que os negros estão sempre como excluídos. Numa entrevista dada por Jararaca, ele diz que “negro no Brasil só consegue grana se for bom de bola, pagodeiro ou se entrar no trafico”, mostrando-nos que dificilmente se formará alguma elite negra no país.
Além de muitas coisas a ver com a revolta na África, percebemos ainda que o autor usa muitas palavras do vocabulário africano, como cimo, quintalão, muadié, meu cota, garoupa, osga, beiçanga, cazumbi, liamba (maconha).
A história toda se mostra contra os paises europeus e suas elites, e compara muito a história de Luanda com a do Brasil, sua independência forçada
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domingo, 22 de julho de 2007

Variações/Variedades Lingüísticas e seus preconceitos

A língua varia no espaço, criando diferentes dialetos e essa variação pode ser vista principalmente entre as diferentes regiões e/ou classes sociais, podendo ser assim chamada de Variação Geográfica ou Diatópica e Variação Social ou Diastrática.
A variação geográfica ou diatópica está relacionada às diferentes formas de fala existentes entre falantes de diferentes regiões geográficas, como por exemplo, o português falado no Brasil e o Português de Portugal, ou até mesmo entre os estados brasileiros cada qual com suas particularidades na fala.
Segundo Alkmin (2001), "qualquer língua, falada por qualquer comunidade, exibe sempre variações (..), é representada por um conjunto de variedades", o que é facilmente percebido de uma região para outra.
Existe ainda a Variação Social ou Diastrática, que para Alkmin "tem a ver com a identidade dos falantes" e leva em conta a classe social, idade, sexo e situação de contexto social.
Levando em conta isso, trataremos aqui do preconceito existente entre os diferentes modos de falar. Alkmin afirma que o preconceito lingüístico é um fenômeno negativo. Pois "a homogeneidade lingüística é um mito, que pode ter conseqüências graves na vida social".
Para Bagno (2001) a escola é um dos meios que mais descrimina o aluno que conhece não o português "padrão" excluindo ou deixando de lado os que não sabem essa norma "culta" da língua.
Esse preconceito é facilmente observado quando pessoas que tem conhecimento do português padrão acham engraçado quando uma pessoa do interior ou de uma classe social menos favorecida diz "prantá" ao invés de plantar. Ou quando um falante aqui do sul ouve um nordestino falando "méladu" ao invés de melado.
Para a maioria dos lingüistas atuais, essas diferenças fonéticas são irrelevantes, pois o mais importante não é falar "correto", ou seja, a norma considerada padrão e sim, fazer-se entender.
Levando em conta ainda o preconceito lingüístico, a língua falada vem sofrendo uma "economia" no que diz respeito aos plurais. Para Bagno, cortar alguns plurais "é mais sóbrio, mais econômico, mais modesto, menos vaidoso". Ele afirma que a regra de plural do português não-padrão é "marcar uma só palavra para indicar um número de coisas maior que um", ou seja, seria absolutamente normal falarmos "minhas flor tão bonita" ou "traz as cadeira aqui", afinal, entende-se que é mais do que uma, ou seja, o português não-padrão "corta todas as marcas "supérfluas", redundantes".
Bagno afirma que os pesquisadores da lingüística no Brasil usam o critério escolaridade para definir como culto ou não o português de cada indivíduo, ou seja, para esses pesquisadores o falante culto é aquele que tem curso superior completo. Mas essa classificação não ocorre somente no Brasil. Nos Estados Unidos há diferença entre a fala de negros e brancos, ou seja, lá os brancos são mais "cultos". Na Inglaterra há 3 divisões sociais e uma variedade chamada de "inglês da Rainha", que seria então a norma culta daquele país. Para Bagno, "a classificação de uma variedade como (mais culta) é uma questão de grau de freqüência", ou seja, ele terá que "praticar" frequentemente sua forma de falar, caso contrário, poderá sofrer influências de outras variedades lingüísticas, deixando de ser "culto".
O autor afirma ainda que "é muito pequena a parcela de nossa população que consegue alcançar a classificação de falante culto", isso ocorre devido a má distribuição de renda de nosso país que não possibilita acesso à escolarização para todas as pessoas. Diz ainda que "existe uma pressão muito grande dos defensores de norma padrão de fazer com que ela fique inalterada, compacta e sólida, mas isso não é impossível", principalmente porque toda língua sofre influências de outras línguas. O português falado no Brasil hoje é uma mistura de línguas principalmente por causa da colonização por que passou.
As palavras herdadas do latim como abdome (abdômen), exame (examen), legume (legumen) sofreram desnalização quando passadas para o português, uma forma de mostrar o porquê de algumas palavras continuarem sofrendo essa desnalização na norma padrão, como é o caso de home (homem), garage (garagem), viagem (viagem), etc. ou seja o que era correto, passa ser considerado errado.
Ainda em conseqüência das migrações, Bagno cita também o porquê de troca de "L" por "R" como em Cráudia, grobo, ingrês... Isso acontece com essas palavras porque muitas delas eram com "L" em outras línguas e sofreram alteração quando passadas para o português, como é o caso de igreja que vem do latim ecclesia, do francês église e do espanhol iglesia, ou seja, só no português a palavra é com "R", então quando alguém fala Cráudia está apenas acompanhando essa mudança chamada de rotacismo.
Bagno exemplifica isso dizendo que até Camões, em Os Lusíadas escreve tanto inglês como ingrês, e em se tratando de Camões... Melhor não discutir!!!

domingo, 15 de julho de 2007

A leitura crítica e transformadora

Alavancada pela idéia de uma educação transformadora, contrária à visão reprodutora e excludente, inerente a educação praticada no país, esta abordagem tem, na figura de Paulo Freire, seu expoente mais significativo. A luta de interesses entre classes populares e as elites convergem para implementação de uma pedagogia da libertação.
Esta abordagem ilumina a urgência da alfabetização e da conscientização das massas, que eram marcadas pela opressão e desigualdade, impedidas de exercerem, de forma plena, a sua cidadania e apontam a relevância de uma pedagogia da palavra contextualizada.
Nas idéias de Freire está implícita a crítica à chamada escola tradicional, que transforma a leitura em um ato de decifração.
A democratização da educação para Freire, supõe um aprendizado da leitura e escrita que abre caminhos para o homem ser agente de si mesmo.
Dessa forma, a leitura autoritária, impositiva, dogmática não tem lugar na proposta freiriana, porque faz com que o aluno reproduza a interpretação certa. A leitura libertária, no entanto, permite que o aluno corra riscos.
Freire ainda critíca a leitura que na escola sacraliza o texto impresso, destituindo-o da condição de questionamento e da interlocução com o leitor, porque portador de verdades. O texto subjuga tanto o professor quanto o aluno.
A leitura libertária torna-se uma ação transformadora, impõe um ato de ler com seriedade, que exige do leitor uma disponibilidade interna para adentrar o texto, compreendendo-o na intertextualidade e no contexto do leitor. A leitura séria compromete o leitor, envolve-o na investigação dos por menores criando uma aproximação entre o contexto do leitor e o do escritor. Para que a leitura permita melhor apropriação das informações, é fundamental que o leitor localize, situe o contexto do autor do texto – o contexto social, político, ideológico, histórico que fez com que o autor escrevesse o que escreveu.
Temos ainda, de Soares, o destaque da diferença entre letramento e alfabetização. O primeiro refere-se ao estado ou condição dos sujeitos de sociedades letradas que exercem efetivamente as práticas sociais de leitura e escrita e o segundo, alfabetização, restringe-se aos atos de codificação e decodificação do código, integrando assim o sujeito na sociedade.
Para Freire, é mais importante ler criticamente, com profundidade, do que ler muito sem o comprometimento necessário para a efetiva compreensão crítica da realidade.
A leitura individual é uma boa estratégia de procedimento orientado pelo professor. A leitura silenciosa, antes de uma leitura oral ou em grupo, é um momento preparatório essencial para que o leitor se aproprie das idéias do autor e estabeleça a leitura curiosa e criativa.
O estudo da linguagem apoiado na análise do discurso trata dos processos de constituição do fenômeno lingüístico e da língua, como um sistema abstrato, visto que considera o homem dimensionado no tempo e espaço. “O centro organizador de toda a enunciação, de toda expressão, não é o interior, mas o exterior: esta situado no meio social que envolve o indivíduo” (Bakhtin, 2002, p. 121, grifo do autor).
Bakhtin vê a ideologia como espaço de contradição que emerge de uma interação social. As crianças são a prática, onde o conhecimento garante vida, concretude, significância aos sistemas constituídos, construção de realidade.
A memória interiorizada e o interdiscurso é todo um conjunto de formulações feitas e já esquecidas que determinam o que dizemos. A estratificação, nos recortes dos enunciados feitos pelo sujeito que lhe permite re-significar os significados. Já o interdiscurso refere-se ao nível da intervenção do sujeito.
Na visão bakhtniana de língua como um processo de evolução ininterrupto, que se dá a interação verbal dos sujeitos. Outro ponto é o mecanismo de antecipação, todo sujeito tem a capacidade de experimentar, ou melhor, de colocar-se no lugar em que seu interlocutor ouve suas palavras.
A leitura implica em um processo discursivo entendido como um conjunto de enunciados possíveis numa dada formação discursiva.
Para Geraldi, ler um texto é como ser possuidor de um sentido único. O texto é o produto de uma atividade discursiva onde alguém diz algo a alguém, envolvido num contexto semântico discursivo. Não podemos dizer que os textos são completos com suas informações, pois é um processo de significação e sentido.
O processo parafrásico, refere-se ao dizível, a memória, aquilo que se mantém no discurso. O processo polissêmico diz respeito ao deslocamento, à ruptura de processos e significação, aos múltiplos sentidos.
Para Orlandi, a interpretação é o sentido pensando-se o co-texto e contexto imediato. A compreensão dos processos de significação e interpretação é necessária para lembrar da tipologia: autoritária, o polêmico, o lúdico, devem analisar as condições de produção. O discurso autoritário caracteriza-se pela paráfrase e pela imposição. O discurso polêmico propõe equilíbrio entre polissemia e paráfrase. Já o lúdico promove a polissemia total.
O conjunto de leituras feitas permite ao leitor restabelecer os implícitos, os não-ditos, os estereótipos, os sentidos produzidos na leitura.
A leitura que a escola proporciona é desempenhada a expressão oral respondendo às exigências da retórica e dominando as regras da gramática. Bakhtin propõe que a analise do discurso quanto a hierarquia seja maleável.
Vygotsky mobiliza o conhecimento buscando recuperar o nível de desenvolvimento da criança determinado pelas situações de leituras resolvidas sem ajuda dos alunos.
Abordagens, o estruturalismo tem como princípio básico o estudo da língua a partir de unidades organizadas, de tal forma que constituem um sistema. A leitura como uma atividade que envolve não apenas o ato da decodificação de um código abragendo uma atividade de maior complexidade. A relação com o livro é que materializa isto.
A formação de cidadãos politicamente iguais, pois o trabalho de leitura é livre, então cabe a escola a seleção dos melhores e mais capazes de produzir. A própria escola que através de práticas competitivas e diferenciadas tomando um lugar de produção. O que efetiva todas estas práticas que podem ser legitimadas como línguas padrão.
Na transmissão da informação e não na relação de sujeitos que estabelecem processos de identificação subjetiva e construção da realidade tranversalizado pela historicidade.
A língua é entendida como instrumento de comunicação entre as pessoas ou como objeto de estudo. O autor transmite os pensamentos, cabe ao leitor decodificá-los, compreender, por isso é importante compreender ou interpretar. A paráfrase concretiza-se por marcas lingüísticas. A leitura prévia é o primeiro passo para a valorização da leitura.